Os blocos de pré-carnaval no Rio de Janeiro

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No Brasil o carnaval é uma festa sagrada, em quase todos os estados os Brasileiros e turistas aproveitam o verão para curtir desta festa que acontece anos trás ano.  A folia começa umas semanas antes ao feriado do carnaval e tem os chamados blocos de rua, onde as pessoas dançam usando fantasias de diferente tipo, algumas delas de protesto social ou homenageando alguma figura publica. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, os “O escravos da Mauá” neste ano homenageia Mestre Cândido e emociona foliões. O bloco usou desfile para pedir por cidade mais plural e democrática.

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O sonho por um mundo mais justo pode ser dito de muitas formas: num canto, num samba, num desfile de carnaval. Para representar o desejo por uma cidade mais igualitária, o bloco Escravos da Mauá, clássico da região portuária, passou a mensagem com todos esses itens juntos. Para este ano, o desfile contou com uma ala especial, formada por integrantes da Loucura Suburbana, bloco de pacientes psiquiátricos do Hospital Nise da Silveira.

— Eles simbolizam uma parcela grande do que ainda há de invisível na nossa sociedade.

O bloco, que foi o primeiro a trazer a perna de pau para a avenida e é conhecido por seguir a tradição da cultura popular carioca, também homenageou personagens portuários durante o trajeto. Para isso, os foliões percorreram as ruas do Porto – região onde o bloco foi criado – com a mesma energia que impulsiona a esperança por uma sociedade mais democrática.

Uma pausa no desfile foi feita na Rua Barão de Tefé e todos os foliões cantaram juntos uma homenagem ao Mestre Cândido, o marinheiro revolucionário da Zona Portuária, que lutava pela liberdade de pessoas que eram escravizadas no Brasil dos séculos XVIII e XIX. O momento comoveu os foliões.

— A emoção é muito grande. Não só porque toca na nossa história como brasileiro, mas também porque o carnaval toca a alma da gente — disse a porta-bandeira Débora Rezende.

O casal Glória Regina da Silva e Demilton Campelo, casados há dez anos, foram fantasiados de Mãe de Santo e Padre, e contam que nunca repetiram um figurino.

— Eu venho ao bloco há mais de 15 anos, sou nascido e criado na Zona Portuária. Trabalho no Porto e me sinto em casa no Escravos da Mauá. Fico feliz demais por estar aqui — conta Demilton.

O desfile durou cerca de 1h30 e a dispersão aconteceu no mesmo lugar da concentração. Após o discurso de encerramento dos organizadores, pedindo por uma cidade mais plural, houve até pedido de casamento. O casal se conheceu no bloco há seis anos.

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Este ano, a temática do bloco Suvaco abordou o Bispo do Rosário, personalidade que cria uma linha tênue entre a loucura e a genialidade. Grande artista, Rosário, que tinha doenças psiquiátricas e viveu por muito tempo no Rio de Janeiro, produziu diversos obras oriundas do lixo e da sucata, consideradas artes vanguardistas.

Pensando nisso, a Velha Guarda do Suvaco aproveitou a oportunidade para levar às ruas suas Alices no país da Maravilha.

– O bloco está homenageando a sanidade e a loucura, então nós viemos de Alice para mostrar como é lindo esse mundo que a gente vive. O Suvaco é só alegria e irreverência – conta a fundadora, Paula Nazareth.

Para o organizador, João Avelleira, a inspiração no tema partiu da liberdade que o homenageado transmite.

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– O Bispo do Rosário é uma forma de fazer uma referência à tolerância com quem é, age e pensa diferente da gente. O carnaval tem esse espírito libertador, é uma festa muito democrática.

O bloco convocou o público a se inpirar nessa teoria. Para a organização, através do Suvaco os foliões puderam ser quem quisessem, por pelo menos um dia. Quem compareceu ao evento pôde usar e abusar da criatividade e da liberdade de expressão.

O ponto de saída do desfile foi no tradicional bar Jóia, esquina com a Rua Faro. Da concentração já era possível notar o clima de animação e ansiedade entre seus seguidores, que levaram até às ruas da Zona Sul, uma bela ala de baianas e a porta-bandeira, Cynthia Howlett, presente há mais de 10 anos na festa.

Fantasias com críticas políticas também dominaram o Suvaco desta edição. As “Laranjeiras”, compostas por 25 senhoras moradoras da Zona Sul, roubaram a cena nesta manhã. Desfilando em blocos há mais de dez anos, cada ano o time de matriarcas desenvolve um tema diferente. Segundo a organização, este ano a temática não poderia passar batida.

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Vestidas de laranjas, dando o duplo sentido à palavra, as integrantes carregavam plaquinhas como “A copa é nossa; CPI; Petrobras” fazendo uma crítica ao atual governo.

 

– Nosso objetivo é protestar contra toda essa roubalheira de maneira irônica. Sem ofensas pessoais de um país surreal – explicou a baiana Rosa Maria, uma das organizadoras.

Para as integrantes, o ano que passou foi atípico e é necessário que se faça alguma coisa para reverter o momento vivido pelo Brasil.

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O carnaval é assim, tem de tudo, alegría, festa, fantasias, música, cores bonitos, protestos e também acontecem assaltos e brigas, é importante para quem vai de turismo, saber que tem que ter cuidado e que tem que procurar pelos blocos que sejam mais do gosto pessoal, porque tem bairros onde até crianças podem estar seguras e outros lugares que são perigosos.