Ouro Preto, cidade histórica e colonial (Minas Gerais, Brasil)

Panorâmica_de_Ouro_PretoOuro Preto é um município do estado de Minas Gerais, no Brasil. É famoso por sua arquitetura colonial. Foi a primeira cidade brasileira a ser declarada, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, no ano de 1980.

A partir do século XVI, exploradores luso-tupis provenientes de São Paulo, os chamados bandeirantes, começaram a percorrer a região do atual estado de Minas Gerais em busca de ouro, pedras preciosas e escravos indígenas. Nesse processo, dizimaram muitas nações indígenas da região. No final do século XVII, finalmente foi descoberto ouro na região, aumentando ainda mais o afluxo de aventureiros para a região. Enquanto isso, as descobertas de ouro nos córregos continuavam no sertão, elevando nomes como o de Antônio Dias de Oliveira, Bartolomeu Bueno de Siqueira, Carlos Pedroso da Silveira e de e gente vinda da Bahia e de Pernambuco e acendendo ambições de além-mar. As expedições procuravam ora o rio das Velhas (principalmente os paulistas, que haviam acompanhado a bandeira de Fernão Dias Pais e de dom Rodrigo de Castelo-Branco), ora o Tripuí, onde já se havia encontrado o afamado “ouro preto”, balizado pelo cabeço enevoado do pico do Itacolomi, que começavam a avistar logo transposto o Itatiaia.

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O ouro mineiro começou a chegar a Portugal ainda no final do século XVII. Em 1697, o embaixador francês Rouillé mencionou a chegada de ouro “peruano”, citando 115,2 kg. Godinho, sem citar a fonte, mencionou 725 quilos para 1699 e, em 1701, a chegada de 1 785 quilos. “A Coroa concedia aos responsáveis de descobertas uma mina de oitenta varas sobre quarenta e mais uma data de sessenta por trinta sobre a mesma beta, ambas à escolha, entremeando entre uma e outra 120 varas para serem ocupadas por duas datas menores. O cálculo atual é igual a 80×40= 3 200 varas quadradas, ou seja, 3,72 metros quadrados; 60×30 = 1 800 braças quadradas, ou seja, 2 178 metros quadrados atuais. Em águas correntes e nas quebradas dos montes, o quinhão do descobridor era de sessenta varas de comprido por doze de largo, metidas no meio da corrente ou da quebrada, sendo o de cada um dos aventureiros um terço menor; se o rio era grande, tocavam ao descobridor oitenta varas e aos mais, sessenta. Nas minas menores, em outeiros, campos ou às bordas de rios, era de trinta varas quadradas a data do descobridor e de vinte as outras; se a área não chegasse para todos os pretendentes, o Provedor devia dividir as datas proporcionalmente”.

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Apesar de ter a maior parte do intenso fluxo turístico focado na arquitetura e importância histórica, o município possui um rico e variado ecossistema em seu entorno, com cachoeiras, trilhas seculares e uma enorme área de mata nativa, que teve a felicidade de ser protegida com a criação de Parques Estaduais. O mais recente destes situa-se próximo ao distrito de São Bartolomeu.

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Ouro Preto também se destaca pela atividade cultural. Todos os anos, sedia o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes. No ano de 2010, o Festival homenageou Mestre Ataíde, pintor de grande influência no barroco de Minas Gerais. Ouro Preto e Mariana receberam atrações como Roberta Sá, 14 Bis, Sá e Guarabira, Gabriel, o Pensador e Chico César. Atividades culturais como teatro, música, artesanato, literatura, discussões em mesas redondas e palestras sobre meio ambiente e incentivo à leitura para crianças também entraram no calendário do Festival. Também tem o maior Carnaval Estudantil do Brasil, onde as festas são organizadas pelos moradores das Repúblicas Estudantis.ouro preto noite

Abriga o mais antigo teatro em funcionamento da América Latina, o Teatro Municipal de Ouro Preto. Após passar por restauração, no ano de 2007 a Casa da Ópera (nome original). A Casa da Ópera foi construída pelo contratador português João de Souza Lisboa, com apoio do conde de Valadares, governador da Capitania, e de seu secretário, o poeta Cláudio Manuel da Costa. Situada próximo à Igreja do Carmo, em terreno íngreme, foi inaugurada no dia 6 de junho de 1770, na comemoração do aniversário do Rei Dom José I.