Cruzeiro Esporte Clube (Brasil)

Fundado como representante esportivo da colônia italiana em Minas Gerais, o Cruzeiro Esporte Clube transformou-se rapidamente em um dos gigantes do futebol brasileiro, tanto pela numerosa torcida quanto pela interminável coleção de troféus.

 

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O nascimento de uma instituição

Entre os milhões de torcedores do Cruzeiro Esporte Clube espalhados por todo o Brasil, há pessoas das mais diversas ascendências. Talvez seja por isso que poucos associem a imagem do clube mineiro com a colônia italiana. Mas a equipe que divide os corações de Minas Gerais com o rival Atlético nasceu em 2 de janeiro de 1921 como a Società Sportiva Palestra Italia, tendo como cores o vermelho, o branco e o verde da bandeira italiana. O primeiro jogo oficial, em abril daquele ano, foi justamente contra o Atlético Mineiro, e acabou em vitória por 3 a 0.

Até 1925, o clube aceitava apenas atletas de família italiana, e foi ainda com o nome antigo que chegaram os primeiros títulos, como o tricampeonato mineiro entre 1928 e 1930. Mas a Società Sportiva Palestra Italia precisou mudar durante a Segunda Guerra Mundial. Em janeiro de 1942, o governo federal aprovou uma lei que proibia qualquer instituição privada de ter no nome qualquer referência a uma das três potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

O clube acabou tendo de mudar de nome para “Palestra Mineiro”. No entanto, os diretores decidiram adotar novas cores (azul e branco) e uma nova denominação. Após um curto período como Ypiranga, a equipe foi rebatizada no dia 7 de outubro daquele ano como Cruzeiro Esporte Clube, uma homenagem a um dos símbolos nacionais brasileiros: a constelação do Cruzeiro do Sul, que passou a estampar o escudo do clube.

 

Após a adaptação à conturbada conjuntura política, o Cruzeiro mostrou que não tinha perdido a força: entre 1943 e 1945, conquistou outro tricampeonato mineiro com destaque para os gols de Niginho e Ismael. Foi durante aquele período que o clube recebeu o apelido de Raposa — uma referência a Mario Grosso, presidente da agremiação entre 1942 e 1947 e considerado tão astuto quanto o simpático animal. Após um período de crise financeira em 1952, quando o Cruzeiro foi obrigado a dispensar todos os atletas e voltar ao amadorismo por alguns anos, começou a germinar uma geração de jogadores que levaria o nome do clube para muito além das Minas Gerais.

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Quando o governo estadual concluiu a construção do Estádio Mineirão, em 1965, o futebol do estado ganhou em importância no cenário nacional. E foi justamente nesse período que o Cruzeiro montou aquele que seria o melhor time de sua história — à equipe tricampeã mineira de 1959 a 1961, somaram-se jovens talentosos como Piazza e Dirceu Lopes. Além deles, um atacante brilhante que viraria sinônimo do clube: Eduardo Gonçalves de Andrade, mais conhecido como Tostão.

O Cruzeiro gravou para sempre o seu nome na história do futebol nacional ao conquistar em 1966 a Taça Brasil, equivalente na época ao Campeonato Brasileiro, derrotando o Santos de Pelé na grande final.

Aquela equipe fantástica foi seguida de uma geração brilhante que elevou a Raposa à fama internacional. Com a chegada de Palhinha, Joãozinho e Nelinho, o Cruzeiro formou a base da equipe que foi vice-campeã brasileira em 1974 e 1975 e conquistou o inédito título da Libertadores em 1976. Depois de perder a final da Copa Intercontinental para o Bayern de Beckenbauer, Maier, Rummenigge e Gerd Müller, o clube voltou a chegar à decisão da Libertadores em 1977, mas não conseguiu superar o Boca Juniors.

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A década de 1980 foi de pouco brilho, mas a de 1990 marcou o início de uma fase invejável. Em 1993, o time ergueu o seu primeiro troféu da Copa do Brasil e apresentou ao mundo um certo Ronaldo Nazário de Lima. A Raposa repetiu o título em 1996, garantindo lugar na disputa da Copa Libertadores de 1997. Com a segurança do goleiro Dida, a equipe chegou ao bicampeonato continental ao vencer o Sporting Cristal do Peru na decisão. Porém, voltou a perder o Mundial de Clubes na partida diante do Borussia Dortmund.

A tradição de revelar grandes jogadores, formar equipes de primeiro nível e conquistar títulos continuou no novo milênio. O ápice foi a temporada de 2003, em que o clube conquistou a inédita tríplice coroa. Com o meia Alex mostrando toda a sua habilidade, o Cruzeiro ganhou o Campeonato Mineiro, levou a Copa do Brasil pela quarta vez e finalmente comemorou a conquista do Campeonato Brasileiro.

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Principais títulos:

– Campeonato Brasileiro (3): 1966, 2003, 2013

– Copa do Brasil (4): 1993, 1996, 2000 e 2003

– Taça Brasil (1): 1966

– Campeonato Mineiro (36): 1926, 1928, 1929, 1930, 1940, 1943, 1944, 1945, 1956, 1959,1960, 1961, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975, 1977, 1984, 1987, 1990, 1992, 1994, 1996, 1997, 1998, 2003, 2004, 2006, 2008, 2009, 2011 e 2014.

– Copa Libertadores (2): 1976 e 1997

– Supercopa Masters (1): 1994

– Copa Sul-Americana (1): 1995

– Recopa Sul-Americana (1): 1998

 

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Jogadores inesquecíveis:

Niginho, Procópio, Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Wilson Piazza, Raul Plassmann, Zé Carlos, Palhinha, Eduardo Amorim, Roberto Perfumo, Joãozinho, Nelinho, Nonato, Ronaldo, Dida, Marcelo Ramos, Juan Pablo Sorín, Gomes, Alex, Fred, Ramires.

 

web site: www.cruzeiro.com.br