Encontro de Pensadores Sociais (E.P.S) na ORPAS de São Paulo

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No sábado passado, 26 de abril, na sede da ong ORPAS na zona sul de São Paulo, participamos do E.P.S (Encontro de Pensadores Sociais), nesta oportunidade o assunto debatido foi a situação socioeconómica da América Latina. No painel estiveram Daniel Neves de Faria (Fundador e Diretor da ORPAS), Laura Sierra e Sebastian Sierra (da Colombia), Paulo Henrique (Professor membro da ORPAS), Sebastián Baldunciel (da Rede de ONGs da América Latina) e o Valdir (liderança social da zona sul paulista).

O cientista político Sebastián Baldunciel falou do avanço de alguns Países da região em assuntos sociais na última década, principalmente no bloco do MERCOSUL mais Equador e Bolívia, onde a economia de cada um desses Países cresceu e a pobreza diminuiu e fizeram investimentos em eixos estratégicos para o desenvolvimento nacional, entenda-se educação, tecnologia, ciência, e recursos naturais. Aliás a integração regional melhorou nestes últimos anos, a partir do ano 2005 em que na cidade de Mar del Plata, os Presidentes, Néstor Kirchner, Hugo Chávez, Lula, Rafael Correa e Evo Morales, derrubaram o projeto do ALCA, que impulsava o EUA. Por outro lado Chile, Colômbia, México e Peru, buscam fazer alianças comerciais, separadamente do MERCOSUR e ademais estes Países estão entregues al capital estrangeiro, deixando de lado a pobreza interna e os investimentos fundamentais em áreas como a educação o a saúde pública. Mas ainda temos muito por melhorar, seguimos sendo o continente mais desigual do Mundo, onde um trabalhador tem um salário de miséria, trabalha 10 horas ao día e na Europa ou EUA os trabalhadores das mesmas empresas ganham 10 vezes mais. Na Colômbia, a situação de violência é coisa de todos os dias, o Estado que usa aos guerrilheiros para matar inocentes, falando de que eram guerrilheiros, e os paramilitares para ter mais lucros com o negócio da segurança. Porem a sociedade civil sofre e fica sem fazer nada, ante o Poder, que é exercido pelas mesmas famílias de elite de sempre que vendem e entregam o pais para ser eles mais ricos.

Falando da situação local do Brasil e de São Paulo, os assistentes contaram histórias de pessoas da periferia que foram assassinados pela Policia nos últimos anos. Principalmente os jovens negros, estão sendo assassinados constantemente, sem motivos, só por ser negro e pobre, da licença a Policia Militar a matar eles, “parece”. O Governo manda soldados e PMs as favelas e geram mais violência e mortes, nada revolve essa política de “combate” da pobreza, e falamos de combate porque é isso mesmo o que estão fazendo. Os moradores da periferia de São Paulo, falaram que as ações do PCC muitas vezes são melhores que as do próprio estado, porque quando falta um medicamento, os membros do PCC dão aos doentes, e cuidam da segurança dos moradores (PCC: Primeiro Comando da Capital é uma organização paulista, criada supostamente com o objetivo manifesto de defender os direitos de pessoas encarceradas no país. Hoje a organização é comandada por presos e foragidos principalmente no estado de São Paulo.). Não se defende nem justifica as ações do PCC, menos quando são criminosas, mas dá para analisar porque surgiu, numa situação desigual, injusta e com o Governo ausente.

A política de criminalizar a pobreza, todo pobre é narco, bandido e por isso mandamos ocupar as favelas com soldados, não está sendo uma boa política pública no Brasil, pelo contrário, gera mais mortes, aprofunda as desigualdades, e só faz que a vida para os moradores seja mais cara, além de ser um gasto importante para o Governo manter essas unidades do exército ali nas comunidades, que bem poderia usar esse orçamento para melhorar os bairros, fazer obras de esgoto, alumbrado, agua potável, espaços de lazer e escolas e postos de saúdes dignos.