EVENTO NA UNIP SOBRE A REALIDADE ARGENTINA DESDE O 2001: AVANÇOS E RETROCESSOS

unip rrii No dia 25 de fevereiro, na UNIP (Universidade Paulista), em São Paulo, foi convidado pelo CIERI e a coordenação do curso de relações internacionais, o presidente da Rede de ONGs da América Latina Sebastian Baldunciel. Esteve presente também o Professor Charles Pennaforte, Diretor do CENEGRI e coordenador da UNIP na área de RRII e MBA de Geopolítica. O assunto tratado foi a realidade da Argentina desde o ano 2001, avanços e retrocessos. O cientista político lembrou da profunda crise que viveu a Argentina que levou ao final do Governo de De La Rua (UCR-FREPASO), em 2001, e falou dos numerosos avanços que vieram depois com o Governo de Duhalde (PJ), Néstor Kirchner (PJ-FPV) y Cristina F. de Kirchner (PJ-FPV). Crescimento do PIB em um 93%, desemprego do 6%, integração regional com a UNASUL e o MERCOSUL, a Lei de meios audiovisuais, as 1549 escolas novas terminadas (no período 1989-2001 foram 7 as escolas terminadas), o investimento em educação que chega a ser do 6% do PIB quando antes era de 3%, o pagamento ao FMI para não depender mais desse organismo, entre outras. E também falou da crise política que gerou e geram as políticas do Kirchnerismo, os grupos econômicos, a oposição política, os capitais estrangeiros, que não querem perder negócios e privilégios que tiveram nas últimas décadas passadas, fazem operações na mídia permanentemente para derrubar o Governo atual.

Está em crise um pais que cresce ao 5% com desemprego do 6%? Não, na verdade muitos países da Europa e do Mundo gostariam ter esses indicadores atuais e ninguém fala que eles estão em crise, então as operações mediáticas e protestos são uma grande mentira que tem outras intenções e interesses.

Alguns alunos perguntaram pela inflação real e pelos dados oficiais que podem ser falsos, mas o cientista político explicou que a inflação é algo que está vivo na cultura dos argentinos, que sempre existiram épocas de inflação. Os empresários, comerciantes e consumidores na Argentina tem uma cultura negativa, sempre tentam subir os preços para ter mais lucros sem trabalhar ou produzir mais, e os consumidores tem uma conduta péssima, compram ainda mais que antes quando os preços sobem por medo que aumentem de novo, mas na verdade eles mesmos geram pressão sobre a oferta de produtos e alimentam a própria inflação.

Em relação aos dados, o Sebastian Baldunciel falou que andando pela Argentina pode-se ver a mudança de uma década a outra, antes as industrias estavam fechadas, os trabalhadores nas ruas pedindo trabalho e os engenheiros e arquitetos eram motoristas de taxi porque o País importava tudo e não produzia quase nada, menos obras de infraestrutura. Aliás com dar uma volta pelo Pais e ver a realidade comparada com os anteriores governos, a pessoa nem precisa estudar dados ou indicadores, a diferença está à vista.

Antes a Argentina era “o modelo a seguir” do FMI, e terminou em uma crise com 14 quase moedas, 26% de desemprego, recessão econômica, indústria quebrada e os argentinos indo embora do País buscando uma vida melhor. Agora que os indicadores são muito melhores, o FMI, EUA, Europa, a mídia internacional que respondem aos mesmos interesses internacionais, aqueles que tiram toda a riqueza dos países da América Latina, Ásia e África, quebram esses países e vão embora, são os mesmos que agora criticam a Argentina e falam péssimo como se o Pais estaria em grande crise, comparada com Venezuela, Síria, Uganda, etc.

Como dica final ficou estudar, viajar, recorrer as ruas, falar com as pessoas e ter um pensamento próprio da realidade, não acreditar no que a mídia (Grupo Clarin na Argentina, Grupo Globo no Brasil), fala como verdade suprema, porque eles respondem a interesses comuns que estão longe de se preocupar pela população nem com o desenvolvimento de nossos Países.